Correio da Madrugada Online


ENTREVISTA: ALBERTO FIORAVANTI - 1a. PARTE

01h01 27/11/2004

por ivo la puma

pirraines - Alberto Fioravanti é ex-Conselheiro Imperial e o atual editor-chefe do Coluna Vermelha, polêmico jornal reunião/apátrido, que nos últimos tempos esteve a denunciar algumas atitudes consideradas abusivas por parte do Poder Moderador do Sacro Império de Reunião. Devido a sua postura combativa, esteve envolvido em inúmeras discussões sobre assuntos domésticos com outros compatriotas. Numa delas, com o também Conselheiro Imperial Raphael Garcia, chegou a ser suspenso de participar da lista da Conselho Imperial Reunião, atitude que gerou muita revolta e o fez abdicar de todos os títulos recebidos. Isolado, por opção, na Fortaleza de Vera Cruz, em Le Piton de la Fournaise, Alberto Fioravanti me recebeu e me concedeu a seguinte entrevista.

Correio: Gostaríamos de iniciar a entrevista perguntando sobre você, para que nossos leitores conheçam um pouco de sua pessoa. Você poderia nos dizer quando e como tomou conhecimento do micronacionalismo e quais foram as suas primeiras impressões sobre o micromundo?

Alberto Fioravanti: Em primeiro lugar quero enviar uma cordial saudação a todos os leitores do Correio da Madrugada, e agradecer ao Jornalista Ivo La Puma por esta oportunidade de que me conheçam como sou, sem máscara nenhuma.

Foi numa tarde de seis anos atras que soube da existência das micronações. Como na maioria das vezes os encontros são sempre ocasionais, e meu conhecimento do micromundo, que eu chamo de microuniverso, foi da forma mais acidental possível. Sou um apaixonado da história e da geografia, e por deturpação profissional, um pesquisador nato. Assim, depois de ter lido o livro "Em Busca de Liliput" de Luiz J. Gintner, e ter conversado com o autor para parabeniza-lo pela forma interessante e inovadora com que ele apresentava as verdadeiras micronações.

Seu livro me despertou tanto interesse que quis conhecer mais sobre esse pequenos países, já que muitos deles eu os havia visitado tanto na Europa, como na América Latina, mas nunca os havia visto na forma que Gintner os descrevia. Era interessante conhecer fatos curiosos que, no próprio local, eu não os havia percebido. Assim, pesquisando na Internet informações sobre micronações - usei esse termo na busca pois pensava que estaria dentro do que Gintner chamava de micropatriologia. Para minha surpresa a pesquisa me levou às micronações virtuais e em particular os sites de três delas foram identificados: Sealand, Marajó e o Sacro Império de Reunião. Certamente os instrumentos de pesquisa que eu utilizei não eram tão eficientes como hoje e assim não recebi as indicações das varias micronações que já existiam.

Realmente até então nunca imaginei sobre a existência de nações virtuais. Dentre os sites que visitei, a primeira que me impressionou foi Marajó, certamente por conhecer pessoalmente a ilha de Marajó e ser um admirador da arte marajoara. A segunda foi o Sacro Império de Reunião, principalmente por suas conotações com um regime monárquico, que eu pessoalmente aprecio, e demonstrar uma organização de governo interessante. Sealand não me entusiasmou, pois me deu logo a impressão de que nela havia algo de errado com as ofertas que faziam de passaportes diplomáticos.

O que pude ler nos sites de Marajó e de Reunião certamente me entusiasmaram e até pensei que seria uma boa idéia fundar minha própria micronação. O que fiz foi enviar imediatamente e-mails para Marajó e para Reunião para obter maiores informações, mas somente recebi resposta de Reunião, do próprio Cláudio Castro, com quem tive chance de conversar tanto por e-mail como pelo ICQ e de lhe mencionar minha ignorância sobre as micronações e a idéia de estabelecer uma micronação. Cláudio me convidou para me unir a Reunião, com o que ganharia a experiência para mais tarde, se fosse o caso, estabelecer minha nação. Assim desde fins de 1998, sem conhecer nada ingressei no mundo complemente novo das micronações, no Sacro Império de Reunião, e logo fui conhecendo as varias nações, sendo nomeado embaixador no Reino de Aquitânia, uma interessante diarquia, nação amiga e da qual tenho excelentes recordações e lamento sua desaparição. Com Campos Bastos tive contatos informais e me tornei amigo de sua Presidenta, Adriana Moura. Para mim o microuniverso das nações é uma das atividades da Internet das mais positivas e por isso mesmo pouco divulgadas. Da Internet a mídia se ocupa somente as parte obscura.



 Escrito por Ivo La Puma, editor-chefe às 01h25
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ENTREVISTA: ALBERTO FIORAVANTI - 2a. PARTE

Correio: E sobre sua vida macronacional? Onde você nasceu? Qual a sua formação? Qual a sua profissão? Conte-nos sobre isso.

AF: Nasci no Brasil. Meus pais viviam no Rio de Janeiro, mas estando viajando, de trem como era costume daquela época, por razões do destino tiveram que parar numa pequena cidade, Muqui, no Estado do Espírito Santo, onde eu nasci no Hotel da Estação, onde nasci pois não havia hospital na cidade. Estamos no século passado, nos longínquos 1942, em pleno Estado Novo e durante a Segunda Guerra Mundial. Com 2 anos de idade viemos residir na cidade de Campos dos Goytacazes, onde fiz todos os meus estudos, desde o jardim de infância à secundária. Em 1961 fui morar com minha avó no Rio de Janeiro para fazer o vestibular e estudei ciências econômicas na Universidade Federal Fluminense, onde obtive o diploma de Bacharel em Ciências Econômicas em fins de 1965. Assim defino minha profissão inicial como de economista. Fiz um concurso para o Ministério da Agricultura, que ainda se encontrava no Rio de Janeiro e fui fazer parte da Equipe de Projetos Agrícolas do Escritório de Estudos Econômicos do Gabinete do Ministro da Agricultura. Na Faculdade de Direito da PUC fiz uma pós-graduação em Direito Agrário, e em 1967 por concurso ganhei uma bolsa e fui estudar Planejamento Agrícola da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos que foi emendado com o estudo de Mestrado em Desenvolvimento Rural com o IICA/ OEA na Costa Rica, e posteriormente com o PhD e, Desenvolvimento Econômico e Social na Universidade de Sarasota, na Florida em conjunto com a Universidade de Pittsburgh. Durante meus estudos tive a sorte de ter boas notas e de ser selecionado para estágios em orgãos de governos e organizações internacionais. Academicamente tinha uma formação em economia, desenvolvimento agrícola e rural e desenvolvimento sócio-econômico, que me deram a base para passar, por concurso, para ocupar uma única vaga que havia sido aberta na Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação - FAO, e a partir de Novembro de 1970 fui para a sede da FAO, e assim residir em Roma. Sempre por concurso galguei vários postos na FAO e na ONU, inclusive servindo na CEPAL e Santiago do Chile, (1977-1979) durante o período da ditadura de Pinochet, regressando a Roma para dali, em 1990 ser designado Diretor da Área para Centro-América e Panamá e México, com sede na Guatemala, de um Programa da ONU orientado ao combate da fome. Certamente nessa função mantinha contato com os mais altos funcionários nacionais, incluindo os próprios Presidentes das sete nações. Tive a honra de poder chefiar muitas missões multidisciplinares e inter-agenciais de desenvolvimento, e de participar das negociações dos processos de paz e reconciliação entre governo e guerrilheiros em El Salvador e na Guatemala, com o que eu fui o único funcionário da ONU a ser condecorado pelo Presidente da República de Guatemala com a mais alta ordem da nação, a Ordem do Quetzal, no grau de Comendador.

Sempre acreditei no poder do estudo e que com o estudo tudo se consegue, sem necessidade de empurrões políticos, bastando para isso ter algo mais que a media não tinha e que só uma dedicação à excelência permite a qualquer um de subir a pirâmide funcional. Hoje estou aposentado da ONU e ter regressado ao Brasil depois de 30 anos vivendo no exterior~foi um choque bastante grande por ver o deterioro que aconteceu nesses 30 anos (era impossível notar algo nos 30 dias de ferias que passávamos anualmente no Brasil).

Minha criação familiar, meus estudos durante o inicio da "revolução" de 1964, minha convivência com os problemas sociais latino-americanos que eram discutidos em reuniões internacionais foram marcantes para definir meu pensamento político que prefiro não batiza-lo com qualquer das siglas por mais conhecidas, mas definindo-o como um social cristão. Social porque considero que o estado deve dar os meios a todos os cidadãos de acesso a uma educação de primeira qualidade; a uma atenção de saúde desde antes do nascer; e que o estado deve incentivar a criação de postos de trabalho assalariado, não permitindo que haja maiores privilégios para um só dos fatores da produção. E Cristão porque creio na partilha, mas não creio na distribuição obrigatória de bens, sendo que o desenvolvimento deve ser obra do somatório dos esforços individuais, e dentro de um principio de justiça.

Sobre meu trabalho, participei no desenho de programas de desenvolvimento para praticamente todos os países da América Latina. Todos eles tinham como lema ensinar a pescar e nunca dar o peixe, fato que lamentavelmente é o prato do dia dos nossos políticos brasileiros. Para citar só algumas experiências: agricultura familiar na zona do nordeste do Brasil; a reestruturação do sistema da merenda escolar na região norte e nordeste do Brasil; a agricultura familiar em Sergipe e no Vale do Jequitinhonha em Minas Gerais; desenvolvimento de colônias indígenas na zona do Chapo do Paraguai; programas de moradia para grupos de baixa renda no Panamá e em Costa Rica; promoção de cooperativas e bancos de crédito feminino na Guatemala; aberturas de estradas de integração; assentamento de refugiados em áreas de conflito (Honduras, Belize, Guatemala e México) etc. Seria longo falar de tudo que levo bem gravado dentro de mim, e nada mais estimulante era, ao regressar a um lugar de um projeto e ver o sorriso de agradecimento de indígenas, que hoje não dependiam de bancos para empréstimos e dominavam as técnicas de mercado. Ao escrever isto olho aqui ao lado para uma foto de duas meninas indígenas guatemaltecas, uma de nove anos levando nas costas, segundo costume local, sua irmãzinha de três anos, e me ponho a pensar, onde e como estarão.

Para concluir sobre meu trabalho, tenho que dizer que o que mais me marcou e deixou raízes ou cicatrizes profundas no me ser foi participar das comissões de Paz, onde a Declaração dos Direitos Universais do Homem eram como nossa bíblia. Ali não tínhamos raças, não tínhamos religião, não tínhamos outra visão que não fosse o restabelecimento da Justiça, o reconhecimento da Fraternidade e a promoção do Companheirismo.

Hoje participo freqüentemente de missões internacionais da ONU, dou consultorias a políticos do Estado do Rio de Janeiro nas áreas de cooperação internacional, desenvolvimento sócio-econômico e combate a pobreza, e coopero com varias organizações filantrópicas e não governamentais. Sou escritor, escrevo em jornais, tenho uma coluna semanal aos domingos nos Diarios Associados. Sou Membro Efetivo (por eleição) do Instituto Histórico e Geográfico de Niterói, Membro de vários Institutos Genealógicos e Heráldicos do Brasil, Membro Efetivo do Supremo Tribunal de Armas e Consulta Heráldica do Brasil (fundado em 1954); Membro da Academia Fluminense de Heráldica (fundada em 1965) e Membro Efetivo (por eleição) da Academia Campista de Letras (fundada em 1939); Membro do Rotary Clube de Campos-São Salvador. 

Na realidade acho que sou um troglodita em extinsão no microuniverso que é constituido mais de jovens.



 Escrito por Ivo La Puma, editor-chefe às 01h25
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ENTREVISTA: ALBERTO FIORAVANTI - 3a. PARTE

Correio: Agora gostaríamos de abordar o assunto, diríamos, mais polêmico recentemente do cotidiano político de Reunião. Conte-nos por que você e o Raphael Garcia foram suspensos do Egrégio Conselho Imperial?

AF: Creio que essa é a pergunta mais difícil para se responder, pois necessitaria saber a realidade dos fatos e o que tenho são conjecturas, e assim terei que me estender mais do que gostaria. Como não poderia deixar de ser, levei para Reunião toda a minha bagagem de conhecimentos acadêmicos e profissionais, e desde o início procurei me dedicar com sinceridade à construção de um Império onde os elementos de Justiça, de Fraternidade e de Companheirismo estivessem presentes. E certamente para isso existir não há necessidade de um ambiente homogêneo mas sim a existência de respeito pelas liberdades individuais, o que parecia haver até um certo período.

Em Reunião só pedi uma função - trabalhar com a Heráldica, pois é um dos meus interesses macronacionais, tenho trabalhos heráldicos reconhecidos no mundo macro tendo sido o autor das leis que criaram brasões e bandeiras para muitos municípios do Estado do Rio de Janeiro. E Reunião não possuía nenhuma norma heráldica e o plagio de brasões pessoais e nacionais era a coisa corrente, pois não havia conhecimento.

Nunca tive interesse pela política partidária - fui indicado qualicato por uns dias - mas desde meu ingresso pertencia ao PIGD, pois me pareceu que seria o partido que zelaria pela monarquia. Mas para mim o trato com todos os partidos era igual. Pela minha experiência macro fui convidado para ser Chanceler Lusófono e depois Chanceler Imperial. Durante esse período tentei até uma aproximação com Campos Bastos, que não prosperou,

Recebi títulos de nobreza de Barão, depois de Visconde e depois de Conde, cargos que títulos que um belo dia eu renunciei pois não estava de acordo com a postura do Lorde Protetor do Império, que tinha posição antagônica a minha, o que me motivou também a me desfiliar do PIGD.

Já tinha sido nomeado pelo Imperador para fazer parte do Egrégio Conselho Imperial de Estado, e devendo participar de um partido, me pareceu que os princípios do PacSo eram os que estariam próximos ao meu pensamento político macro - muitas vezes não nos damos conta que as declarações de princípios escritas são uma beleza, mas na prática é quase sempre outra coisa. Me enganei, pois me encontrei num ambiente onde o cidadão ou filiado era um numero e o que interessava era a "glória" do partido, e vendo as maquinações que eram feitas, me desfiliei e regressei ao PIGD, mas sem as ilusões de quando ingressei a Reunião. Sentia a existência de uma grande hipocrisia e não conseguia conviver com ela.

Para mim uma discussão política num ambiente virtual não é racional, pois numa micronação, como num passe de mágica qualquer cidadão pode ter tudo, ser milionários, ter fortunas em petróleo ou em brilhantes, ou se quiser pode ser um sem-terra ou morar, como hoje faço numa choupana nas faldas do Vulcão "Le Piton de la Fournaise". Qualquer discussão sobre doutrinas filosóficas políticas num mundo virtual não pode ser considerada como de mera fantasia. Acho que todos sabem que existem muitos foros de discussão abertos a interessados para seriamente tratar desses temas. No microuniverso de uma nação virtual é que não são temas sérios.

Reunião foi uma nação com muitos cidadãos, muitos ativos e muitos desses que passam e regressam surpressivamente, mas mesmo assim os grupos altamente politizados e sedentos do poder (essa palavra me surpreende - "sedentos do poder") como se no mundo virtual alguém tem um verdadeiro poder - há quem tem o poder de eliminar uma pessoa da lista, há o poder do Imperador de outorgar títulos de nobreza e condecorações, fora disso não há mais poder e o que deveria haver seria um ambiente cooperativista para que novas e desinteressadas amizades se formassem. Reunião sobreviveu a vários períodos de conflitos internos que eu presenciei - um que deu origem ao Califado Malê do Brasil e outro que deu origem a Comunidade Livre de Pasárgada, duas nações diferentes e que se mantém ativas.

Certamente o numero de cidadãos variou muito nestes anos todos e creio que temos um numero adequado de cidadãos para operacionalizar ativamente a uma nação. Houve um entra e sai de pessoas, algumas boas, outras excelentes e também, a meu modo de ver pessoas dispensáveis.

O assunto mais polêmico do cotidiano político de Reunião é o respeito pela individualidade e pela liberdade de pensamento do próximo, e essa foi a origem de ataques e de ofensas que eu vinha constantemente sofrendo de um Conselheiro Imperial de Estado, e que certamente eu sempre respondi na forma de demonstrar a incapacidade intelectual desse Conselheiro, pois certamente sou humano e não levo desaforos para casa, principalmente por razões que eu não provoquei. Realmente o plenário do Conselho como a praça pública de Reunião - Chandon - havia se tornado numa arena de gladiadores. Esse era uma mensagem constante que eu enviava a Reunião e agregava apreciações sobre a decadência do Império. Certamente o Imperador tomou medidas drásticas para coibir esses duelos, entretanto durante uma sua ausência o Regente, decretou a suspensão minha e de outro Conselheiro, fato que eu considerei, pela forma como foi feito, em contradição com os Direitos Universal do Homem que eu sempre defendi. Para mim, "suspensão" ou "prisão" eram palavras sinônimas e no mundo virtual, pode-se atribuir igualdade de efeito. De fato imediatamente depois desse ato o Imperador regressou e anulou a medida do Regente.

Eu sempre fui e sou uma pessoa franca e ainda que em forma educada questiono e faço perguntas pedindo explicações sobre o que não entendo ou sobre fatos ou atos que não me parecem serem feitos na forma apropriada. E como as pessoas tem susceptibilidades muito fragilizadas, certamente ao Imperador levaram queixas sobre Alberto Fioravanti, misturando nelas o que fazia ou dizia o Alberto Fioravanti, Conselheiro Imperial, com o que dizia e fazia o Alberto Fioravanti, Editor-Geral do jornal O Coluna Vermelha, que como é publico e notório fazia vários questionamentos sobre a falta de fraternidade e companheirismo em Reunião. Aparentemente esse fato ia motivar minha expulsão do Conselho Imperial de Estado, mas que por uma intercessão antecipada da Igreja de Reunião o Imperador não lavrou o ato de demissão de Conselheiros.

Como se diz vulgarmente, eu teria sido "salvo pelo gongo".

Ainda creio que Reunião possa voltar a ser, dentro de sua heterogeneidade, uma nação fraterna e com companheirismo entre os cidadãos, e espero que isso aconteça. Ainda continuo como Conselheiro Imperial de Estado, e cumpro como minhas funções conforme estabelece a Constituição, mas não sou mais a mesma pessoa que comentava quase tudo que lia. Eu me faço agora a pergunta: para que? Abandonei os palácios e as festas de corte e fui viver numa choupana, num dos lugares mais pitorescos de Reunião, como o é as faldas do Vulcão "Le Piton de la Founaise. Sigo como sempre disposto a continuar trabalhando por Reunião, que tem muita coisa que ser feita, mas necessito ter termos de referencia bem definidos para que não haja confusão ou mal entendidos. Estou certo que ainda com toda a politiqueira de certos indivíduos provocadores Reunião seguirá crescendo. Por outro lado ainda vejo uma passividade enorme no sistema que quase se compararia com permissividade da cidadania que não freia quando um indivíduo ultrapassa o ponto onde termina sua liberdade e começa a do outro. Eu mesmo ainda procuro respostas para entender o que aconteceu.



 Escrito por Ivo La Puma, editor-chefe às 01h24
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ENTREVISTA: ALBERTO FIORAVANTI - 4a. PARTE

Correio: E agora com esse desencantamento com Reunião, o que você pensa em fazer a partir de agora? Pretende deixar Reunião ou mesmo o micronacionalismo? Você já tem definido o que fará num futuro próximo?

AF: Realmente voce usou a palavra correta - desencantamento. Eu estive todos esses anos encantado com Reunião e tudo fiz para destacar seu valor e para demonstrar a existencia de um micronacionalismo sério, humanistico, fraternal onde reinasse o companheirismo. É inegavel que minha dedicação ao Imperador era por considera-lo um verdadeiro amigo e porque sentia uma mistica nesse Sacro Império de Reunião surgido sobre a geografia do pequeno departamento ultramarinho da França, e fiz tudo que podia para que Reunião prosperasse, sem nunca ter pedido um cargo ou qualquer titulo de nobreza. Certamente o desencantamento é imensurável pois se sentir traído por quem considerava um amigo é muito doloroso, mas a confiança é uma coisa muito seria é quando se quebra, não há "super-bond" que de jeito. Aprecio o Claudio, é um jovem profissional brilhante, mas temperamental em suas decisões que as toma pela aparencia e não pela realidade dos fatos, assim não tenho mais condição de estar associado com qualquer trabalho em Reunião. Reunião tem excelentes cidadãos Lamentavelmente o Imperador de Reunião não soube reconhecer o valor de dedicados cidadãos, que terminaram abandonando a nação e não procurou estabelecer as medidas que fariam que eles permaneceriam na nação. Sem ter prova concreta, as aparencias, que as vezes podem enganar, o Imperador demonstra preferir estar cercado de aduladores que atuam como se fossem de grande eficiencia, como também aparenta ter cedido ante atitudes anarquistas de Conselheiros Imperiais, que somente com suavidade'os chamam à ordem.Com tudo isso quem não se desencantasse com Reunião teria que ser um bloco de gelo e não ter coração.

Me desencantei verdadeiramente com Reunião, mas é certo que uma andorinha não faz verão, e eu já não me sentia a vontade com os "pseudos" jovens micronacionalistas, muitos dos quais tem a aparencia de "paples" e isso não tinha nenhum significado para o Império, cuja importancia máxima era que sua arena estivesse cheia de gladiadores - era o circo que atraia os assistentes e elevavam as estatisticas de audiencia. Me desencantei pela decisão de procurar quantidade e não qualidade. Foi um crescer de desncantamento.

Hoje estou reflexionando sobre o que farei no futuro. Ao contrário do Imperador eu não sou uma pessoa de tomar decisões precipitadas, e estou agora deixando a cabeca esfriar desse desencantamento e estarei visitanto as várias paginas de diversas nações para depois conversar com seus governos e decidir o que farei. Gosto do micronacionalismo, pois é um hobby que simula a realidade e que tem um potencial enorme de incentivar o companheirismo.Então não abandonarei o micronacionalismo, pois ainda posso conciliar minhas atividades macro que requerem muitas viagens ao exterior, com o que posso fazer no micronacionalismo. Eu escrevi uma longa carta ao Imperador de Reunião, e indiquei que nunca mais exerceria nenhum cargo no Império, dessa forma antevejo minha saida definitiva de Reunião. Hoje estou isolado num lugar de Reunião, inacessivel, e aproveito para descansar e traçar os planos para o futuro, e estarei contatando também ex-cidadãos de Reunião e estarei aberto para dialogar com qualquer cidadão descontente com Reunião para ver se encontramos alguma rota coincidente.



 Escrito por Ivo La Puma, editor-chefe às 01h23
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ENTREVISTA: ALBERTO FIORAVANTI - 5a. PARTE

Correio: Vamos mudar o assunto um pouco. É sabido que por muito tempo você chefiou a chancelaria reuniã. Você poderia nos contar um pouco sobre esse período?

AF: Um das maiores satisfações que tive foi ser Chanceler Lusófono, uma função como de Vice-Chanceler para os países de idioma portugues, e depois de ter sido nomeado Chanceler Imperial. Não foi um periodo fácil pois havia muita desconfiança com relação ao Sacro Império de Reunião que era considerado uma nação imperialista e dominadora de nações pequenas. Mesmo dentro de uma linguagem diplomatica com as micronações, sempre procurei ser respeitador das diferenças e de falar a averdade, procurando estreitar os laços de amizade com todas as nações. Estou certo que muitas das atuais nações emitirão juizos favoraveis a minha pessoa ainda que, por falar a verdade poderia parecer inflexivel em certas atitudes. Outra grande satisfação foi ver o resultado que minhas conversas com amigos e colegas de trabalho da ONU, tiveram quando um deles decidiu criar a chamada Confederação de Estado Livres e Independentes nas Terras de Santa Cruz (CELITSC), que é ainda uma micronação bastante 'sui-generis" formada for um numero de profissionais amigos e não de um grupo de crianças mimadas como existem agora em Reunião. Ajudei meus amigos da CELITSC com o pouco que eu sabia do micronacionalismo mas por isso fui duramente humilhado em Reunião, onde infelizes cidadãos, até agora, me indicavam como se eu fosse um "paple". A criação da CELITSC me deu satisfação e com eles mantenho contatos pessoais esporádicos. Sempre me baseei nos preceitos da lei, nas definições do que é uma nação, e assim também foi motivo de satisfação ter declarado extinta e inexistente o Magno Império de Hibernia, já que era nação sem governo. Poderia falar muito desse caso mas devo respeitar os mortos. Mas o trabalho numa Chancelaria Imperial nunca pode ser o trabalho de uma só pessoa, mas de uma equipe que trabalhe coesa e com os mesmos objetivos, e lá tive o melhor Vice-Chanceler que poderia existir, Brunno Barbosa da Silva, a quem eu tenho grande estima e o considero um dos melhores profissionais diplomaticos que já passaram por Reunião.Então o trabalho de um Chanceler que me deu muita satisfação foi o resultado de um aglomerado de pessoas, incluindo os Embaixadores. Realmente levo uma saudade no coração, e nessa saudade gostaria de fazer uma homenagem a uma ex-nação, ao Reino de Aquitânia, onde também servi como Embaixador, já que embora sendo uma nação pequena, teve na Diarquia que a governava, duas pessoas que irradiavam um sentimento de fraternidade, e hoje eu apresento meus respeitos a quem foi a Rainha de Aquitânia. Se o Reino de Aquitânia existisse eu migraria para la agora mesmo.

Correio: E sobre o relacionamento com Campos Bastos? Conforme nos disse, você chegou a realizar alguns contatos com o governo campinense enquanto esteve à frente da chancelaria imperial reuniã. Qual foi a sua avaliação com relação a esses contatos e que motivos você dá pelo fato de eles não progredirem mais?

AF: Desde que assumi a função de Chanceler Lusófono e depois de Chanceler Imperial estive mantendo contatos com os governantes de Campos Bastos procurando o estabelecimento de normais relações diplomáticas. Mantive varios contatos com a Presidente Adriana Moura, diñâmica micronacionalista a quem estimo e até hoje admiro, e procuravamos encontrar a forma que apagar desentendimentos, que no microuniverso, se ha boa vontade, podem ser conseguidos. Lamentavelmente o Chanceler Imperial assessora e pode influenciar num processo de toma de decisões, mas sempre estive impedido de concluir um tratado com Campos Bastos. Queri que esse tratado estivesse assinado ainda quando Adriana Moura era Presidenta de Campos Bastos, pois a considero como uma autoridade politica de grande capacidade, pois ela sabe respeitar aqueles que tem ideias politicas diferentes das suas, e não considera isso uma limitação para um relacionamento frutifero entre micronações. Infelizmente não pude ter o prazer de logar a assinatura de um tratado de cooperação. Lamentavelmente, durante o periodo que fui Chanceler Imperial o estabelecimento de relações com Campos Bastos não estava na pauta de prioridades da Chancelaria.



 Escrito por Ivo La Puma, editor-chefe às 01h22
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ENTREVISTA: ALBERTO FIORAVANTI - 6a. PARTE

Correio: Agora vamos tratar de outro assunto polêmico. É conhecida a opinião de parte da comunidade micronacional com relação aos símbolos que o Sacro Império de Reunião ostenta de que elas sejam inspirados numa religião de cunho racista que prega a supremacia da raça branca - a World Church of Creator. O que você pensa a respeito? Você acredita que alguns símbolos reunião sejam inspirados nos símbolos dessa igreja?

AF: Esse é uma excelente pergunta e ainda que possa parecer polemico é um tema que eu estudei muito, pesquisei tudo, e conheço as razões dos símbolos do Sacro Império de Reunião. Lamentavelmente no dia de hoje existe uma hipocrisia entre grande parte dos cidadãos que não demonstram interesse de conhecer e o desejo de  divulgar o significado dos simbolos de Reunião. Tem gente que os deploram e veem quase como um tabu falar deles. Para mim é hipocrisia e covardia, pois todo cidadão que entra a Reunião, assina um juramento aceitando a Constituição e tudo que la esta, e dopois vem com falsos pudores originados de falsas acusações. Como um estudioso macro de Heráldica e das Bandeiras, desde meu ingresso a Reunião me interessei pelo tema e fui até Lorde Chanceler do Clégio Reunião de Heráldica e quem estabelecer as leis heráldica para i Imperio que eram inexistentes.

Para um estudioso da matéria fica imediatamente claro que muitos dos símbolos usados em Reunião foram copiados de nações e monarquias européias, como do Império Germânico, da Prússia-Hungria, da Saxônia, do Império Russo, etc. No caso da bandeira nacional do Sacro Império de Reunião, é evidente que os fundadores foram atraídos por um modelo que tinha suas cores quentes e estavam também em linha com os brasões dos Imperios que citei antes. É evidente que ela havia sido tomada de um site americano, que era da Igreja do Criador, mas devo enfatizar que isso foi feito sem que os fundadores tivessem em conta o que representava essa igreja ou organização. Entretanto, está bem assentado nos anais históricos da fundação do Império que nenhum dos símbolos, brasões e bandeiras, foram escolhidos por aquilo que representava para seus titulares originais, mas sim pela beleza artística.

Lamentavelmente, por Reunião não contar com a assessoria de pessoal capacitado em heráldica, foi inevitável para os fundadores outra saída que a de fazer cópias com ligeiras mudanças, o que deu espaço e argumentos infundados para que fossem usados posteriormente por pessoas interessadas em difamar o Sacro Império de Reunião, usando como justificação para sustentar campanhas fazendo criticas infundadas aos símbolos do Império, como se eles fossem manifestações de que Reunião adotava como filosofia as deturpações que porventura existem ou existiram nas instituições de onde eles foram copiados. Lamentavelmente o Imperador ainda que publicou recentemente um interessante trabalho sobre as razões da bandeira de Reunião, nunca conduziu uma campanha continua de informação sobre o que significa cada peça e cada cor da bandeira de  Reunião. Estou certo que nenhum, repito aqui nenhum, cidadão de Reunião saberia responder o que significa a Bandeira de Reunião, coisa que se eu estivesse em reunião saberia fazer com conhecimento. Eu sempre fui contra ao plágio de simbolos (plágios de brasões e bandeiras) e quando estava no Colégio de Armas não aceitava para registro brasões copiados, mas agora não creio que alguém se preocupa com a heráldica em Reunião. De coração eu digo que ainda que a bandeira de Reunião tenha sido quase que copiada integralmente da bandeira dessa Igreja do Criados, o importante é comhecer seu significado para Reunião, pois na verdade é e sempre será o símbolo de maior importância do Império de Reunião.

Para sua informação e talvez possa utilizar nessa ou em outra oportunidade, indico aqui o significado da bandeira de Reunião que certamente 90% dos cidadãos não saberia responder de cor. Para mim o cidadão de qualquer nação quem não conhece o significado de sua bandeira não merece a cidadania que ostenta. Assim, para provar que eu fui um bom e sincero cidadão de Reunião, lhe proporciono o verdadeiro significado da bandeira de Reunião, que como pederá ver, não tem nada com essa loucura da Igreja do Criador, um bando de racistas e nazistas americanos. Eu nunca copiaria ou plagiaria um brasão ou uma bandeira, mas nem todo mundo dá o valor que a heráldica merece, e certamente chegaria a outra idealização. Mas, escute minhas palavras que soariam como proféticas, no dia que o Sacro Império de Reunião mudar sua bandeira esse será o dia do fim do Sacro Império. Vejamos então o que verdadeiramente significa a bandeira:

(resposta continua)



 Escrito por Ivo La Puma, editor-chefe às 01h20
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ENTREVISTA: ALBERTO FIORAVANTI - 7a. PARTE

A bandeira de Reunião tem uma interpretação que faz lembrar toda a história da terra e a qualidade do povo de Reunião, vindo, entretanto sintetizar o simbolismo da magnificência das paisagens nacionais, a ordem e a tradição, como também a nobreza e a valentia que são características natas do povo do Império.

Os 12 (doze) módulos horizontais que conformam a bandeira foram estabelecidos para recordar o Sacro do Império, lembrando os doze apóstolos que acompanharam a Jesus Cristo, enquanto que os 6 (seis) módulos verticais vem recordar o dinamismo de trabalho criativo que existe no Império, recordando simbolicamente aqueles seis dias em que, segundo a narrativa bíblica no “Gênesis”, Deus criou o mundo, antes de descansar no sétimo dia. Assim foram estabelecidos mantidos seis módulos na vertical para reforçar a idéia que Reunião prima pelo continuo trabalho criativo, sem contudo se esquecer do Sacro e do Divino, que está intrínseco na religiosidade Cristã do Imperador e do Sacro Império.

A bifurcação ou corte em forma de cauda de andorinha, que se observa na sua extremidade esquerda, recorda os vínculos que unem o Sacro Império de Reunião com as demais nações amantes da paz. A escolha do corte que em heráldica se denomina de “cauda de andorinha” foi para destacar o sentido de família que o Império procura promover, já que as andorinhas muito bem representam a união da família, pois os ovos são chocados pelo casal, que dorme junto no ninho, fato incomum entre todas as demais aves. Também os pais se revezam na alimentação dos filhotes, que começam a abandonar o ninho com cerca de um mês de vida.

A cor vermelha (goles) lembra a história das lutas pela libertação da nação e a coragem e o amor que os reuniãos têm à sua terra, pois indica derramamento de sangue em batalha, audácia, valor, galhardia, nobreza conspícua e domínio. Por outro lado, o vermelho esta na bandeira também para lembrar a caridade, generosidade e honra, do cidadão de Reunião, e para traduzir o sangue derramado por Cristo na sua cruz, com o que consolida o simbolismo do amor fraternal existente na nação.

O branco que é a cor da Casa de Castro-Bourbon, casa da qual descende a atual dinastia do Império, forma um disco que é representativo do sol, e é a imagem central da bandeira, simbolizando a pureza e a unidade nacional. Não se pode esquecer que na concepção da bandeira foi escolhido um disco ou circulo, por ser a forma do “besante” que eram moedas e que simbolizam o direito soberano de cunhar moedas, e cujo uso foi generalizado na França, terra de origem da dinastia dos Bourbons. Por outro lado, o circulo, por não lhe encontrar nem princípio nem fim, vem confirmar a presença de Deus em Reunião, lembrando também o céu que cobre a Ilha de Reunião e o mundo onde ela se encontra.

O disco branco vem carregado de uma letra “R” maiúscula e de grande dimensão, que é a abreviatura de “Reunião”; a coroa imperial que encima o “R”, é o símbolo inequívoco da soberania, do poder e do mando com que o povo ornou a cabeça do Imperador, e vem a caracterizar a forma de governo monárquico e imperial adotada pela nação; por sua vez, o halo ou auréola, localizada sobre a coroa, lembra a coroa luminosa em volta da cabeça dos santos, nas imagens e pinturas, com o que vem a simbolizar o caráter sagrado do Império e a fé cristã que anima a nação.

A cor preta (sable) das peças internas do circulo representa a herança africana da ilha de Reunião, e sua combinação com a cor branca vêm simbolizar a harmonia existente entre seu povo onde não há preconceito de nenhuma natureza e onde a liberdade é igual para todos.



 Escrito por Ivo La Puma, editor-chefe às 01h20
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ENTREVISTA: ALBERTO FIORAVANTI - 8a. PARTE

Correio: Abusando um pouco de seu conhecimento sobre as relações diplomáticas intermicronacionais, você poderia nos fazer uma reflexão sobre a atual situação da lusofonia e quais suas perspectivas futuras? Por exemplo, a tão propalada desfragmentação? O que você pensa disso? Quais outros fenômenos estão ocorrendo ou estarão por ocorrer no contexto atual?

AF: Se essa pergunta tivesse sido feita a um ano atras eu certamente teria uma resposta certamente completamente diferente da que posso dar hoje. Antes tinha uma confiança grande na lusofonia que hoje vejo com um futuro muito sombrio. Sombrio por causa de uma luta sem limites pois muitas das nações querem ser a melhor, a maior, ou a mais ativa, e sinto que essa rivalidade é muito estimulada ao se publicar as estatísticas de comunicados.
 
Por exemplo eu dou uma enorme importância ao conhecido Reino de Brunão, nação que um dia um jovem teve a idéia de estabelecer e o fez com objetivos modestos apesar de ser bem estruturado. Quantas nações que sabemos serem ou terem sido de uma única pessoa não funcionou bem. A fragmentação que ocorreu em grandes nações como o Sacro Império de Reunião, que foi o germinadeiro de nações, por razões de disputas internas e da falta de compreensão entre os cidadãos. Assim surgiu a primeira nação muçulmana, o Califado Malê do Brasil, uma interessantíssima idéia de Arthur Rodrigues; a Comunidade Livre de Psárgada, com patronos como Bruno Cava e José Luiz Borras; e posteriormente Andorra Imperial com José Luiz Borrás derivando-se de Pasárgada. Varias outras micronações surgiram, se transformaram, algumas desapareceram, e delas tenho uma recordação com carinho que era o Reino de Aquitânia, onde servi como Embaixador de Reunião. Certamente a fragmentação é o resultado da inconformidade dos cidadãos com a maneira como se conduz a nação. Não considero como fragmentação a aparição de micronações somente pela simples razão de um cidadão querer ser Rei ou Imperador, como vimos o aparecimento e quase imediata desaparição dessas nações.
 
O fato triste é que a era das grandes nações com centenas de cidadãos já terminou, e certamente esse tempo não volta mais. E terminou porque as lutas e as disputas internas é que incentivavam de discussões nas listas nacionais e era o que contribuía para as estatísticas de comunicação - o IBOPE que não mostrava o que era o real micronacionalismo. As discussões de temas políticos e algumas vezes religiosos, não eram debates mas discussões no sentido literal da palavra pois foi permitido, sem que houvesse nenhuma regra para isso. Ao respeito eu presenciei debates políticos intermináveis, como se a micronação fosse o palanque para inculcar idéias políticas macronacionais, e a prepotência dos indivíduos não recebiam controles por parte das autoridades.

Um outro fenômeno também aconteceu - o inevitável - os fundadores e seus seguidores cresceram deixaram a adolescência, passaram a ter compromissos com uma faculdade e com um emprego o que contribuiu para que cada dia lhes fosse mais difícil aos lideres dessas micronações de dedicar mais de seu tempo à micronação e assim descuidaram da supervisão dos novos membros. Acho que todos devem ter notado a existência de uma falta de sinceridade e uma grande rivalidade entre membros de uma mesma nação, o que não é saudável. Isso é um motivo para afugentar a cidadãos.
Apesar dessa grande introdução de aparência negativa, eu ainda creio no micronacionalismo como um excelente hobby que pode trazer experiências de cidadanias para os participantes, experiência essas que deveriam reverter em benefícios positivos para a vida macro. Ha um beneficio recíproco do micro ao macro e do macro ao micro.
As micronações deveriam também procurar se associar a organizações não governamentais que trabalham com a juventude para, com eles introduzir através do micronacionalismo a noção de cidadania que faz falta em muitos dos nossos jovens. Essa é uma atividade que a micronação sozinha não poderia fazer, mas em parcerias com órgãos macronacionais - seria o micro que ajuda o macro.

Certamente as micronações que tiverem como base o companheirismo e a fraternidade continuarão desenvolvendo seu experimento e terão vida longa. Quem não fizer assim, poderá continuar existindo, mas com uma grande rotação de pessoal.

Correio: Para finalizar, como é praxe do Correio da Madrugada, concedemos ao entrevistado esse espaço para suas considerações finais e livres explanações.

AF: Meu caro Ivo, sempre foi um prazer ler o Correio da Madrugada, e tenho que agradecer o prazer que me deram de compartilhar minha experiência micronacional com seus leitores. Desejo ao Correio da Madrugada e a todas a micronações êxitos em seus programas e a esperança que companheirismo e fraternidade entre os cidadãos possa realmente existir. Envio a todos os leitores um forte abraço e desejos de um futuro promissor.



 Escrito por Ivo La Puma, editor-chefe às 01h19
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CAMPOS BASTOS SUSPENDE RELAÇÕES COM RDS APÓS FRACASSO NAS NEGOCIAÇÕES

00h21 27/11/2004

da agência em lorena branca

lorena branca - No último dia 24 de novembro, a chancelaria campinense despachou uma nota repudiando a decisão da República Democrática Sionista em "desreconhecer" diplomaticamente a República Participativa de Campos Bastos, e, argumentando ter exaurido as tentativas diplomáticas de convencer o governo sionista voltar a atrás, anunciou a suspensão das relações com esse país até que voltem atrás da decisão do "desreconhecimento" e que façam uma retratação pela atitude considerada ofensiva por Lorena Branca.

Conforme consta na nota oficial das Relações Exteriores campinenses, essa decisão é devido a intransigência de Gaza em rever a sua decisão de revogar o reconhecimento diplomático da soberania e autonomia da nação campinense, considerando-a agora como um "grupo micronacional". O argumento sionista é que a decisão foi devido à tomada de conhecimento do litígio territorial entre Campos Bastos e Porto Claro, pois Gaza não gostaria de tomar uma decisão injusta para uma das partes. Como a RDS não reconhece Porto Claro, tomaram por bem revogar o reconhecimento de Campos Bastos, assim, nivelando o "status" de ambos os países.

Contudo, segundo argumentou o chanceler, tal decisão não encontra amparo no Direito Internacional. O reconhecimento diplomático não é uma instituição como qualificar um estado como amigo ou inimigo. Trata-se apenas de uma formalidade para definir que tal estado é um ente jurídico no âmbito das relações intermicronacionais. Baseando-se nesse argumento que Lorena Branca considerou tal decisão do governo sionista como um desrespeito às convenções do Direito Internacional, e após buscar o diálogo, considerados infrutíferos, decidiu repudiar a RDS e suspender as relações diplomáticas até que a decisão seja revista e uma retratação formal seja feita.

Além disso, conforme consta na nota, a chancelaria campinense considerou o argumento do litígio territorial entre CB e PC como "maniqueísta". E citou que inúmeros outros países têm relações com os dois países de maneira neutra. Contudo, mesmo realizando uma recepção do chanceler sionista ao território campinense, a posição da RDS não recrudesceu.

A visita do chanceler sionista

Desde o dia 05/11, Rafael Ithzaak, chanceler sionista esteve em Campos Bastos para responder aos questionamentos dos seus cidadãos sobre a decisão do "desreconhecimento". A postura do chanceler sempre foi a mesma: a decisão era caracterizada como normal por qualquer micronação e que iriam fazer uma visita à Porto Claro também para poderem melhor tomar uma decisão.

Contudo, parte da opinião pública campinense estava impacientada com a situação, e estava se sentindo ofendida com o "desreconhecimento". O sempre ácido e irônico Profeta Diluves Fabio Moraca Paulo, e atual Presidente do Conselho Supremo, pressionou diretamente o chanceler campinense a tomar uma atitude mais ostensiva a tal micronação que estava agredindo o povo campinense. Conforme suas palavras: "(...) O que a chancelaria pode fazer com uma micronação que cospe no prato que comeu, ofende nosso povo e ainda por cima é estupida demais e desrespeita o direito internacional, mesmo sabendo que tal procedimento não é correto epensa que o reconhecimento é algum tipo de esmolas ao ponto de que precisamos implorar a qualquer micronação mesmo que esta não tenha influência ou expressão alguma ao ponto de só conseguir virar notcia as custas de nossa causa ou melhor de nosso conflito territorial. Seria correto colocar as pessoas que invetaram essa palhaçada toda e que estão aparecendo as nossas custas em um campo de concentração por exemplo? Alguém teria uma idéia do que pode ser feito?".

No entanto, uma celeuma se deu a partir daí. Alegando uma postura antijudáica por parte do Profeta Moraca, Ithzaak se retirou do país, e só voltou a se manifestar após a nota da chancelaria campinense. Nela, ele diz que " (...) No último dia 30 de Outubro o CB foi rebaixado ao status de "grupo micronacional" por nossa chancelaria por acreditarmos serem necessárias reavaliações sobre o reconhecimento da mesma. O que de modo algum se aplica á um "desreconhecimento". E sim a atitude normal que qualquer chancelaria pode aplicar em alterar niveis de status diplomático.". Além disso, ele argumenta um sentimento antijudáico por parte dos cidadãos campinenses, pois considerou ofensiva o termo "campo de concentração" utilizado pelo Presidente Moraca, e alegou que tais palavras refletiriam um antijudaismo corroborado pelo governo campinense.

O Correio da Madrugada ouviu o chanceler Ivo La Puma e este disse que seu gabinete respondeu ao chanceler sionista que a opinião de Moraca não representava a opinião do governo, e sim, uma opinião particular. E que se este se sentiu ofendido com qualquer coisa dita por algum cidadão campinense, este poderia protestar formalmente e entrar com um processo pelas leis campinenses. "O Sr. Ithzaak quis distorcer as coisas. Nosso povo é um dos mais tolerantes do micronacionalismo, e mesmo assim, nunca que o governo censuraria a opinião individidual de seus cidadãos. Aqui há leis, e não sendo elas desrespeitadas, o campinense pode defender as idéias que bem entender. Inclusive idéias sionistas, que conforme é sabido, foi considerado uma forma de racismo pela Organização das Nações Unidas, com o voto da República Federativa do Brasil.". Perguntado sobre a nota sionista, o chanceler La Puma também disse que "nós já estamos trabalhando em responder essas injustas acusações de antijudaísmo por parte da RDS, que claramente reflete a estratégia sionista de considerar qualquer posição contra um judeu como um antijudaismo ou anti-semitismo generalizado."



 Escrito por Ivo La Puma, editor-chefe às 00h22
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ELEIÇÕES SÃO REALIZADAS EM CAMPOS BASTOS

22h43 26/11/2004

da agência em lorena branca

lorena branca - Na última quinta-feira, à meia-noite, as urnas campinenses foram fechadas e as eleições para o Conselho Supremo se encerraram. Nestas eleições, foram disputados os cargos de Presidente, Ministro da Justiça e Defesa, Ministro da Educação, Cultura e Lazer e Ministro das Relações Exteriores. Na República Participativa de Campos Bastos, o Conselho Supremo é a instituição que representa o Poder Executivo. É formado pelo Presidente e os demais ministros, que são cargos fixos, eleitos diretamente pelo povo. Desde as últimas eleições, tanto cidadãos partidários e como apartidários podem se candidatar a qualquer um dos cargos do Conselho Supremo.

Com exceção do cargo de Ministro da Educação, Cultura e Lazer, que tiveram como concorrentes a comunista Marina de Paula e a apartidária Silvana Fiedler, os cargos tiveram candidatura única. Para Presidente, candidatou-se Wilson Oliveira, do Partido Comunista; para Ministro da Justiça e Defesa, o também comunista Fernando Guergolet; e para o Ministério das Relações Exteriores, o apartidário e candidato à reeleição Ivo La Puma. No cargo disputado, a vitoriosa foi Silvana Fiedler, que recebeu 5 votos contra 3 da candidata do Partido Comunista. Os eleitos tomarão posse no próximo dia 1º.



 Escrito por Ivo La Puma, editor-chefe às 23h05
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